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sexta-feira, 5 de março de 2010

Projetos

Claro que as coisas não são simples assim, mas essa tira do Laerte nos faz refletir:

Uma verdade por trás desse tipo de megalomania temporária é que oportunidades novas aparecem do nada, a toda hora, e mudam nosso planos futuros, principalmente os a longo prazo.

Eu torço por todos vocês, assim como sei que torcem por mim.

Esse blog se chama 'estamos criando' e não 'vamos criar', portanto, enquanto nada estiver sendo criado, nada de atualizações :). Espero que vocês entendam. Um abraço!

sábado, 31 de outubro de 2009

Duas batidas é o suficiente

um baile de hip hop tem sempre um DJ soltando som o tempo inteiro, sem parar, enquanto um MC sobe lá e anima o público, faz rimas, canta suas músicas. seja um baile de breakbeat nos EUA dos anos 80, seja um de funk carioca aqui no Brasil.

som sem parar. esses DJs usam trechos de outras músicas em discos, ou mais atualmente as criam em Drum Machines, e as colocam em loop enquanto soltam outros samples (no funk carioca chamados de 'pontos') em cima dessa batida - cornetas, gritos de guerra, percussões. acontece que algumas dessas batidas ficam realmente famosas, a ponto de sustentar sozinhas um estilo ou serem base pra outros.

o breakbeat, eu digo o hip hop do final dos 80, teve duas batidas mais famosas. quem me contou isso foi o Ishkur's guide to electronic music - se você ainda não foi lá, você precisa ir. ele conta que esses dois trechos de músicas da época foram usados até cansar. lá você pode ouvi-los também.

a primeira, o amen break, tem até um verbete na wikipedia e foi depois também sampleado pra ser base de jungle e drum'n bass, sendo de longe a batida mais usada. ela é na verdade um trecho de 6 segundos da música amen brother dos the winstons - que nunca reclamaram. no meio desse video longo que conta tudo isso há alguns sons que usam a batida, mas um exemplo claro e famoso é a straight out of compton, do NWA:


depois temos a batida tirada de funky drummer, uma música do james brown de 1970. aqui tem uma lista de raps que samplearam esse loop - mas lembrando também que essas batidas eram principalmente usadas na pista, nas festas, por muito tempo enquanto os b-boys dançavam, os MCs agitava. mas pra ilustrar aqui a importância dela no rap, vai uma música do, ahm, NWA que usa o sample de funky drummer:

já já eu volto pra falar do funk carioca.

domingo, 7 de junho de 2009

Garotas dançando em casa

tanto criatividade quanto informalidade me agradam muito esteticamente. vou explorar uma das áreas aonde eu acredito que isso se aplica.

é muito fácil você falhar miseravelmente ao tentar misturar meninas charmosas com música. tonelada de exemplos no Lúcio Ribeiro (que eu gosto muito de ler) de bandas que não combinam as duas coisas direito e me fazem sentir às vezes enganado e ofendido com a apelação.

enquanto isso chovem videos de garotas dançando a alguma música no youtube. o que é uma extensão das meninas que dançam em festas, shows, churrascos. aqui vão alguns videos de pessoas que fizeram isso de brincadeira e acabaram me agradando. vale lembrar o primeiro video nesse estilo que ficou famoso (muito famoso) logo no ínicio do youtube:

o mais incrível é ver a quantidade de vezes que essas meninas se gravaram ouvindo a música para depois editar. nesta mesma época o kevin smith foi divulgar seu filme clerks II, e fez um video imitando as garotas. o original saiu do ar depois de um tempo, mas as garotas guardaram a homenagem e republicaram:

impagável :)

mas existem várias modalidades desse estilo de video, assim como existem vários motivos para alguém dançar em público. hoje mesmo vi umas meninas plantando bananeira enquanto dançam um proibidão, e depois uma série de latinas dançando reggaeton (como essa). as coisas aqui estão mais pra sensualidade e provocação, mas acho uma coisa legítima, como mulheres no clube. depois tem essa garota só fazendo playback com a boca:


essa aqui dança a uma música da banda do robert crumb, chamada cheap suit serenaders:


eu acho que vai depender mais de opinião enxergar valor estético ou exibicionismo (ou os dois) nestes videos, assim como se estão acertando nas músicas ou apelando. eu por enquanto aprovei e gostei.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

CPg: 'Anarquia Oi' no punk rock húngaro

uma amiga húngara minha traduziu umas letras do CPg (Come on Punk group) uma banda húngara de punk rock dos anos 80. é muito engraçado ver como a cena se parece muito com a que tínhamos em são paulo. as letras com os mesmos objetivos reclamar, chingar e ofender.

o mais curioso: as duas falam de anarquia, mas não flertam com o comunismo. lá, claro, porque a ditadura era comunista; então eles são até na verdade anti-comunistas. e aqui deve ser porque comunismo era ainda da cultura dos 70, a mpb e a comunidade hyppie, que eram todas odiadas pela cultura punk.

mas daí acabei encontrando uma coincidência assustadora. uma música dessa banda, chamada anarchia, tem o mesmo refrão da música dos garotos podres 'anarkia oi'. confiram a música no video:

reparem a letra, que é muito a cara de garotos podres:

Anarquia

(risada maligna)

Eu sou o anti-cristo
Eu já sei o que você não sabe
A anarquia virá

Anaquia oi oi

Ser livre é o que eu quero
Não um animal estúpido e domado
Isso é a coisa certa, eu já sei:

Anarquia oi oi

Eu sou, eu sou, eu sou Eu sou o anti-cristo

Você esquece seus sonhos
Você faz parte disso, é o que acontece
Você se torna um pontinho e cinza

Anarquia oi oi

Um mundo sem regras
É dito, ninguém vai reinar
É isso que é anarquia

Anarquia oi oi

Eu sou, eu sou, eu sou
eu sou, quem eu sou?


Olhe em volta e foda a sua mãe

Entenda todos os problemas
Que merda é o mundo todo

Anarquia Oi Oi

Ser livre é o que eu quero
Não um animal estúpido e domado

Você esquece seus sonhos
Você faz parte disso, é o que acontece
Você se torna um pontinho e cinza

Olhe em volta e foda a sua mãe
Uma anarquia grande pra caralho!

a letra orginial, em húngaro, está aqui nesse site. e pra quem não lembra, tá aqui o video de 'anarkia oi' do garotos podres, com um video legal da época:

e a letra, pra vocés compararem com a do CPg:

Um dia você vai descobrir
que todos te odeiam te querem morto,
pois você representa perigo
ao poder

Anarquia oi, oi!

Eles não querem
que você viva
destrua o sistema antes que ele o destrua
Não acredite, em falsos lideres
pois todos eles vão te trair

Anarquia oi, oi!


A-nar-qui-a

A-nar-qui-a
Anarquia oi, oi!
eu fui no site oficial dos garotos podres e mandei um e-mail pra eles contando da coincidência. pode ser que eles já saibam... ou que ainda achem que eu estou insinuando plágio. mas é uma idéia tão simples colocar 'anarquia oi!' no refrão de uma música que é até mais plausível os dois terem a mesma idéia. o bonito da coisa é a proximidade de estilo e de idéia.

uma rapidinha de 'plágios': teve um escândalo de I wanna be your girlfriend da avril lavigne ter sido roubada de I wanna be your boyfriend de um tal de the rubinoos. realmente os refrões são bem parecidos. mas o ramones também tem uma I wanna be your boyfriend. e, realmente, a idéia é tão óbivia que eu acho muito mais fácil ninguém ter roubado de ninguém; porque se soubessem da outra música nem ousariam fazer uma própria.

pra saber mais do punk começando no brasil tem o documentário botinada (cheio de trechos no youtube, e tem inteiro por aí na internet). e depois volto com mais punk húngaro e comparações. fiquem com um abraço!

terça-feira, 28 de abril de 2009

O futuro do roleplay nos MMORPGs

demorou falar de jogos de computador aqui. eu mandei esse e-mail pra uma lista de e-mail sobre video games, pra falar de dois massive multiplayer RPGs que estão sendo produzidos: planeshift e star wars: the old republic.

............

Esse PlaneShift é um MMORPG desenvolvido com um engine GPL, só mantido
por doações e voluntários. Ele já está online pra se jogar (estou
instalando ele aqui) mas em um estágio ainda muito inicial e
incompleto.

http://www.planeshift.it/about.html

Um dos seus arquitetos deu uma palestra de uma hora no google tech
talk, cobrindo os detalhes de cada área do projeto; há trechos muito
curiosos, como o das pseudo-línguas que os coders criaram para o
pessoal que produz conteúdo e não sabe programar:



Ele ainda trata da distribuição de processamento no servidor deles e a
conversa dos clients - os NPCs, por exemplo, são processados a parte e
tratados pelo server do mesmo modo que um client de um jogador, para
não sobrecarregar o server e ao mesmo tempo dar potencialidade de
expansão infinita para a AI deles. Ele chega até a falar da
necessidade de 'estupidez' nos NPCs do jogo, que estava detalhado
naquele texto Intelligent Mistakes que o Marison mandou pra gente.
Fascinante.

.

Outra curiosidade é ele comentar o quanto a estrutura, o hard-coding
de um MMORPG acaba sendo a parte menos massiva comparada com a
tonelada de conteúdo que ele vai ter, de textos, quests, texturas e
animações, porque é o que eu tinha acabado de ouvir no video dos
developers do Star Wars: the Old Republic, num video revelador pela
Gamespot:

http://www.gamespot.com/pc/rpg/starwarstheoldrepublic/video/6199708


Pois é, conteúdo é o mais importante. Estou maluco nessa idéia do SWOR
de você poder fazer escolhas que moldam a história do seu personagem.
Espero que elas moldem o próprio universo do jogo! Porque demorou um
MMO ter elementos mais profundos de RPG nele. Quero ver, no futuro,
integrarem o mundo dos jogadores com o dos NPCs... por enquanto os PJs
ficam brigando e se unindo pra brigar entre si ou pra enfrentar
desafios estáticos... falta um mundo que se adapta às atitudes dos
players.

Quem anda jogando Conan, LOTR, Warhammer pra me dizer como andam, e o
que vocês acham das inovações em roleplay, e conteúdo moldado pela
ação dos jogadores? Esssa parte é com certeza a que mais me fascina.

Um abraço a todos da lista

............

um video bonus sobre o SWOR:


tambéms estou nesse momento jogando a versão 0.4 do planeshift, e logo escrevo mais sobre ele pra vocês.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Punk épico

existe um estilo de música punk, dentro do punk, que é fácil de se destacar. eu resolvi chamá-lo de punk épico. não existem bandas do estilo - nem sei se seria possível - mas o que acontece é que às vezes alguém faz uma música que é assim. então é mais uma estrutura que algumas músicas têm.

é mais ou menos assim: o tema é bem amplo, falando do mundo ou das gerações; normalmente tem algum instrumento (órgão, guitarra distorcida) que dá sensação de local aberto; as guitarras comem soltas, de um jeito que enche seu peito com uma certa urgência; e fica aquela sensação de eternidade, de coisas grandes.

assim fica fácil de lembrar, por exemplo, de hammersmith pallais do the clash:

"if adolf hitler flew in today, they'd send a limousine anyway", épico. difícil entender sem acompanhar as letras. isso previne, por exemplo, london calling de ser épica: letra muito específica, e irônica. então não estou falando de músicas canônicas, símbolos de época, nada disso. estou falando de músicas têem esse ar de grandeza. como essa do rancid no especial do south park:

"I'm no longer respected in this transition", "disastrous living, disastrous living!", falando do sol da california, é épico. não confundir com california sun dos ramones; aliás, ramones não entra muito nesse gênero, já que seus sons falam de coisas bem pessoais. eu ainda posso estar dando a entender que o som precisa ser respeitado, de uma banda famosa. mas não. olha um punk épico que não é nada disso (somente audio, o video é outra coisa):

"god reached his hand down from the sky, he flooded the land then he set it on fire" e é só o começo da letra dessa música que narra o dia do apocalipse. apesar da moral ser diferente (vale muito ler a ltra desse som), ela me faz lembrar da música do johnny cash, que também descreve deus descendo à terra (vocês vão ter que ignorar as imagens, de novo):

essa música do cash foi aproveitada de um jeito magnífico pra introdução do remake de dawn of the dead. a cena está aqui no youtube. vou ter que admitir que também é uma música épica, só que não punk. mas não sou tão versado no folk pra procurar músicas épicas lá.

vocês que me digam se eu deixei algum som digno do estilo de fora, e me ajudem a identificar mais elementos que unem esses sons, e que justifica a existência do estilo; ou que não justifica: pode ser uma viagem minha destacar essas músicas. eu sei que tem várias outras, e elas se sobressaem por esses elementos mesmo. olha outra (the matches: am tilts, da minha biblioteca):

"The morning tilts/ over the hills/ and floods the world", épico.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Muitos anos de você mesmo

dismemberment plan foi uma banda que lançou seu primeiro EP em 94, lançou 4 discos até 2001, e mudou seu som para cada um deles. eles não foram da salsa pro country, nada disso. O detalhe é que o som deles amadureceu cada vez mais. ouçam the city de 99, do álbum emergency & I. "eles não são revival de new wave, eles são legitimamente o new new wave", disse mais ou menos um crítico da pitchfork media, sobre o disco. agora the face of the earth, do álbum change, merece tanto quanto a outra que se acompanhe a letra. "... graciosamente sucumbiram à idade adulta" é o que diz nosso crítico. o texto vale a comparação final com borboletas, que podia ser horrível mas funcionou, ficou bonito.

já a pitchfork começou como fanzine em 95, e em 99 já era um website com matérias regulares sobre música. hoje em dia ela é gigante, tem radio e promove shows, etc. mas o que eu conheço mesmo de lá são as críticas dos álbuns, que são sempre ótimos textos pra se ler - mesmo que não falem nada direito sobre o disco - que são panoramas de gente apaixonada por música e que vive no centro de tudo aquilo. se você for na página da wikipedia de boa parte dos álbuns da nossa década, vai ter lá a nota da pitchfork e o link pra resenha.

emergency & I é um daqueles discos que marcaram época. 5 anos de banda, e saiu esse álbum. agora, imagina ainda o sujeito que resenhou esse álbum quando saiu, em 99, já sabendo o que ele significava? são dois bons motivos pra você não tentar salvar o rock ainda esse ano. muito menos tentar dizer como foi qualquer época musical. porque, você tendo vivido a época ou não, o que seu texto vai parecer ao ser lido por um cara que sabe realmente como 99 foi? muito difícil chegar nessa gente. seguindo essa lógica, fica óbvio que não vamos fazer história antes da década acabar...

isso tudo só pra lembrar o quão longo é o amadurecimento de alguma coisa que a gente cria. marcenaria de prateleiras em comparação a móveis coloniais, meu gibi comparado com preacher. então a gente faz história lá pela década que vem.

um outro detalhe é: mesmo que o som do dismemberment plan soe mal pra alguém, pareça velho pra outros, e os textos da pitchfork pareçam forçados, metidos... primeiro, não são realmente, em nenhum dos dois casos. segundo, eu imagino que fica bem difícil entender o que está acontecendo na música agora se não levarmos o site, ou a banda, em consideração; então vamos ter que observá-los com mais carinho. depois eu falo de mais coisas da nossa época que precisamos considerar, e amar :-)